Uma visão geral do gerenciamento de projetos (parte 2)
O gerenciamento de projetos no mundo vem crescendo e ganhando maturidade já a alguns anos quando, por exemplo, foi lançada na década de 90 a metodologia PMI. Ela contém 9 áreas de conhecimento, os chamados processos, já descritos no primeiro artigo escrito para esse blog.
No entanto, ainda temos muitos problemas com o gerenciamento de projetos e grande parte dos projetos executados nas empresas não consegue ter sucesso ou tem um sucesso parcial, mas deixa desejar em alguns aspectos.
A aplicação das metodologias existentes não depende apenas do conhecimento do gerente do projeto, mas também do apoio da alta gerência e da criação da cultura dentro das empresas.
Muitas vezes, um gerente se vê numa posição desconfortável, quando não consegue imprimir seu ritmo e estilo de gerenciar em um determinado projeto. A estrutura empresarial e a cultura vigente não permitem, mas quando existe pelo menos o apoio da alta gerência, é hora de começar a aplicar, mesmo que seja em parte, uma das metodologias existentes para gerenciar projetos. E uma boa forma de manter seu projeto nos eixos e aplicando o uso da restrição tripla.
A restrição tripla é composta pelos processos de Custos, Tempo e Escopo e é representada pela figura de um triângulo. Cada um desses processos representa um lado.
|
Figura 1: Imagem básica da restrição tripla
Essa representação gráfica nos ajuda, principalmente, a visualizar as conseqüências das mudanças em cada um desses processos do GP. Segue abaixo uma imagem que pode ajudar ainda mais a visualizar como é importante controlar esses três aspectos:
![]() |
Figura 2: Imagem com mudanças em custo e duração
Tente, num triângulo qualquer, mudar o tamanho de um dos lados sem alterar os outros? Não existe mágica no gerenciamento de projetos. Se o custo aumenta para um projeto no qual o escopo se manteve o mesmo, provavelmente o que se quer é acelerar as entregas do projeto, alocando-se mais recursos ou fazendo os recursos já alocados trabalharem mais (as famigeradas horas extras). Se o escopo (trabalho do projeto) do projeto aumentar, ou será necessário ajustar o cronograma do projeto e alongar sua execução ou vamos precisar alocar mais recursos para realizar as mudanças pedidas no escopo no mesmo tempo previamente definido. Ou ainda existem os casos onde o escopo aumenta, os custos aumentam, pois são alocados mais recursos (tanto humanos quanto materiais) e mesmo assim não é possível realizar o projeto todo no tempo definido durante o planejamento. Neste caso, os três lados desse triângulo vão ser impactados e todo o planejamento precisará ser revisto.
As mudanças vão impactar no mínimo duas dessas visões e, por isso, a necessidade de se gerenciar as mudanças de forma organizada, para que os impactos sejam os mais suaves possíveis é muito importante.
Nota do autor: Caros leitores, sei que o artigo não esta muito detalhado, mas como a semana foi mais curta, o tempo para desenvolver este artigo também diminuiu. Na semana que vem vou abordar o tema a respeito da estrutura organizacional das empresas e como essa estrutura influencia na forma como gerenciar projetos. Um abraço e bom feriado pra todos!
Artigos Relacionados:
- Uma visão geral do gerenciamento de projetos
- Aspectos organizacionais e suas influências na qualidade dos projetos
- Empreender é preciso
- O primeiro passo para o sucesso de um projeto
- Melhorias no Google Homepage

Opa Bruno Tudo bem?
Se falou uma coisa interessante:
“Muitas vezes, um gerente se vê numa posição desconfortável, quando não consegue imprimir seu ritmo e estilo de gerenciar em um determinado projeto.”
Na minha opinião acho que “desconfortavel” é a pior coisa que pode acontecer pois gera uma sensação de “não vejo a hora disso acabar”, e isso acaba passando para toda a equipe envolvida.
Acredito que trabalhar com motivação e com abertura para desenvolver o senso crítico do trabalho dos outros e principalmente dos nossos cria uma atmosfera positiva e nos ajuda a compreender a realidade da empresa que estamos desenvolvendo o tal projeto, eliminando assim “um pouco” do desconforto.
Parabéns ai pelo blog e esta serie de post´s sobre gerencia de projetos esta muito legal!
Grande abraço!
Oi Paulo, obrigado pelo seu comentário. Sem dúvida nenhuma o gerente do projeto deve motivar sua equipe. Ele deve liderá-la e, como todo bom líder, um dos aspectos mais importantes que o gerente de projetos deve ter em mente é que o projeto é feito de pessoas. A gerência de projetos tem como um dos principais pilares o gerenciamento de pessoas, suas frustrações, motivações e ambições pessoais.
Quando comentei a respeito do desconforto foi para ilustrar que existem empresas onde o gerenciamento de projetos não é maduro o suficiente, deixando muitas vezes o gerente descoberto, sem apoio para gerenciar. Vou comentar mais a respeito disso no próximo artigo, que vai falar das estruturas organizacionais existentes na visão do GP.
Obrigado pela sua colaboração. Espero poder continuar contando com ela.
Um grande abraço,
Bruno.
Olá Bruno, primeiro parabéns pelo post.
O triângulo é um diagrama muito interessante mesmo, demonstra claramente esta relação entre Preço x Tempo x Escopo. Especificando um pouco a gerencia de projetos para o desenvolvimento de software, muitos autores incluem uma outra variável, a Qualidade. Na verdade, vejo esta variável como uma ferramenta dos desenvolvedores para ajustar as demais. Mas acredito que isso seja um tiro no pé, pois comprometendo a qualidade, estará tapando o sol com a peneira, as conseqüências virão ao longo prazo. Você consegue entregar mais rápido, consegue diminuir custos e entregar mais resultados diminuindo a qualidade. Mas na minha visão, com o tempo o risco de projeto aumentará, e o que parecia uma opção interessante, torna-se um tormento.
(Mas infelizmente, o que mais vemos por aí é o pessoal descartando a qualidade, seja para conseguir entregar no prazo e não receber multa, seja para cortar custo em um orçamento mal elaborado ou nas gambiarras, conseguindo entregar o que foi prometido)
Aquele abraço!
Oi João,
Sem dúvida nenhuma quem trabalha com projetos já se deparou com esse cenário, onde a pressa imperava. E como diz o ditado, a pressa é inimiga da perfeição. É importante nos preocuparmos com a qualidade do que estamos entregando. Esse aspecto faz parte de uma evolução na figura da Restrição tripla, onde ela funciona como uma quarta aresta desse triângulo, transformando-o numa pirâmide. Mas nossa posição como gerente de projetos deve ser a de informar os superiores envolvidos com o projeto. Devemos mostrar, de maneira simples e objetiva, o que uma escolha de um prazo muito agressivo, ou um investimento pequeno num projeto pode trazer de consequencias para os objetivos desse projeto, que devem estar alinhados com os objetivos estratégicos da empresa. Cabe a alta gestão decidir o que fazer e não o gerente do projeto. Ao gerente cabe fazer o projeto dar certo, com os recursos que foram colocados a sua disposição.
Obrigado pela sua opinião. Conto com ela para que possamos melhorar ainda mais essa coluna semanal.
Um grande abraço,
Bruno.
[...] LEia mais no Blog Reflexões Digitais [...]
[...] LEia mais no Blog Reflexões Digitais [...]