Google ataca o core business da Microsoft

segunda-feira - 26 de fevereiro de 2007
Publicado por: Diego Cox

A Google iniciou um ataque direto a um dos produtos mais lucrativos da Microsoft. Na última terça-feira, dia 20 de fevereiro, a empresa de Mountain View anunciou o lançamento do seu “pacote” de produtos voltado para a produtividade empresarial.

São duas versões distintas que agrupam alguns softwares lançados anteriormente pela empresa. A primeira, batizada como Google Apps, inclui programas como servidor de e-mail, mensagens instantâneas, calendário e criação de páginas web. A segunda versão, Google Docs and Spreedsheet, apresenta programas que permitem ler e editar documentos criados a partir do MS Word e MS Excel, os principais aplicativos da plataforma MS Office que rendem em torno de 11 bilhões de dólares anuais à empresa de Bill Gates.

Apostando na estratégia reversa da Microsoft, que instala seus produtos localmente no PC ou rede do usuário, a Google disponibiliza seus produtos remotamente através da internet e armazena todos os dados salvos em seus servidores. Isso permitirá as empresas reduzirem seus custos de manutenção de computadores, suporte ao usuário e armazenamento, assim como cortar custos na aquisição de softwares, visto que a utilização dos softwares da Google implica apenas em custos de armazenamento.

O pacote de e-mail e mensagem instantânea baseados nos serviços existentes Gmail e Gtalk, estão disponíveis em uma versão “trial” gratuita desde agosto e são mantidas por publicidade. Segundo a Google o serviço vem sendo utilizado por milhares de empresas, instituições de ensino e ONGS.

A Google continuará a prover os serviços gratuitamente para empresas e instituições acadêmicas. Contudo também oferecerá os serviços de armazenamento de e-mails e suporte ao cliente por uma taxa anual de cinqüenta dólares por usuário.

Comparando com o custo médio de 225 dólares, por pessoa, cobrado pela Microsoft para o uso do Office e do Exchange mais o custo de manutenção e gerencia “in-house” dos usuários e hardware, a pacote da Google é bastante atraente para as corporações que desejam reduzir custos.

Segundo a própria Google os primeiros clientes, do ‘mainstream’, da linha Apps são a Procter & Gamble e o SalesForce.com, o pioneiro na gestão de clientes através da internet.

“Estamos no processo de transição entre o MS Exchange para o Google Apps”, declarou Marc Benioff, o CEO do SalesForce e um critico freqüente da Microsoft.

O Apps veio para acirrar ainda mais a guerra entre as empresas de Redmond e Mountain View ampliando o terreno onde as duas empresas concorrem, antes a concorrência acontecia apenas em buscas, publicidade e serviços para telefonia móvel. A Google esperou, estrategicamente, o momento que a MS lançaria sua nova linha de produtos para lançar sua plataforma.

Enquanto a maioria dos analistas diz que o uso de softwares disponíveis na internet, suportados por publicidade, está crescendo no mundo corporativo, também declaram que no futuro próximo a Google estará ocupando o lugar da empresa de Bill Gates na liderança do mercado tecnológico.
“Creio que a Mictrosoft está muito preocupada com essa possibilidade.”, escreveu Rebecca Wettemann, vice presidente da empresa de pesquisa, Nucleus Research.

Watemann constatou que uma empresa americana chega a gastar 80 mil dólares anuais com administradores de sistema que gerenciam e-mail e softwares desktop, do tipo Office. Com o mesmo investimento, o Google Apps pode servir a aproximadamente 1.600 usuários. “O Google Apps poderia ser uma opção mais viável mesmo se o Office fosse gratuito”.

Mark R.Anderson, analista da Strategic News Servie, uma empresa de consultoria em tecnologia, diz que a Microsoft deve estar muito perplexa com o sinal que a Google esta dando de querer atingir seu “core business” mas não aposta em um impacto imediato.

“Essas mudanças culturais demoram anos para acontecerem de fato. A Google ainda deve provar ao mercado que seus softwares são seguros e de qualidade. A Microsoft já provou isso há anos”. Por isso a Google tem tempo suficiente para acirrar ainda mais essa guerra e derrubar de vez a Microsoft.

Os produtos da Google não são substitutos para o Excel ou Word, certamente os produtos da Microsoft são mais robustos. Contudo a Google esta focando no mercado de pequenas empresas e grupos específicos de grandes empresas, onde o Google Apps poderá ser o substituto dos produtos da concorrente.

“Temos também a possibilidade de oferecer nossos produtos de forma on-line para os clientes. Nossa crença é que o futuro da informática seja uma mistura de software com serviços.”, esclarece Chris Capossela, vice presidente do Office na Microsoft.

Capossela considera sadia essa competição no mercado, contudo acredita que a maioria dos clientes continuarão optando pelos produtos de sua empresa por preferirem manter o armazenamento de dados internamente, por motivos de segurança e jurídicos.

Por enquanto, o fato da Google ingressar no mercado de softwares é uma fração ínfima do mercado no qual a Microsoft atua. Segundo a Google mais de cem mil pequenas empresas estão utilizando o Google Apps para administrar seus sites na internet. O Docs e Spreadsheet já possuem mais de 432 mil usuários, dados apurados em dezembro de 2006 pela Nielsen/NetRatings. Já o Microsoft Office possui entre 450 e 500 milhões de usuários.

Dessa forma podemos concluir que os sonhos da Google são bastante ambiciosos e estão muito, mas muito, distantes de se tornarem real. Contudo mais um golpe foi dado pela a empresa de Moutain View demonstrando à Microsoft que a guerra tende a ficar cada vez mais dura.

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