O Google Phone não será apenas mais um aparelho móvel

Por mais de dois anos, um grande grupo de desenvolvedores da Google trabalhou arduamente no projeto secreto de um aparelho celular. Durante todo o tempo de desenvolvimento o mercado da tecnologia especulou bastante sobre o que seria o Google Phone ou GPhone.
A surpresa veio quando a Google revelou que a sua intenção não é de lançar um concorrente ao iPhone, seus objetivos são bem diferentes aos da Apple. A maior empresa da internet mundial pretende expandir seu domínio na publicidade on-line para a publicidade móvel, ainda um pequeno mercado, mas com uma grande expectativa de rápido crescimento.
Dessa forma a ambição googleniana visa persuadir as operadoras de telefonia móvel e os fabricantes de aparelhos celulares a utilizarem o seu software, dessa forma o custo dos aparelhos e tarifas telefônicas seriam reduzidas, pois a publicidade exibida dentro do software da Google subsidiaria parte desses custos. A Google pretende lançar seu modelo de telefonia móvel até o final desse ano, e os aparelhos baseados na sua tecnologia seriam vendidos a partir do ano que vem.
Alguns analistas consideram que o projeto não terá um impacto revolucionário no seu lançamento, não será uma mudança abrupta de paradigma assim como foi no lançamento do iPhone que revolucionou o mercado com novas ferramentas e funcionalidades.
“O iPhone foi um marco em termos de como as pessoas utilizam os aparelhos de celular. Já o GPhone, caso ele seja realmente lançado, ajudará a Google a distribuir seus serviços em uma nova plataforma on-line. ”, declarou Karsten Wide, analista do IDC.
Enquanto a Google desenvolvia seu software, viu-se obrigada a criar alguns aparelhos para servir como protótipo de demonstração aos fabricantes, mas não está nos planos da empresa fabricar aparelhos móveis propriamente ditos.
Dessa forma, fica claro que a Google não está desenvolvendo um gadget para competir com o iPhone, mas está criando um software para concorrer com o Windows Mobile da Microsoft e outros sistemas operacionais utilizados em aparelhos móveis. Ao contrario da Microsoft a Google não pretende cobrar pelas licenças do software distribuído aos fabricantes de aparelhos celulares.
“O ponto essencial da estratégia da Google é a criação de um aplicativo de código livre para competir com o Windows Mobile. Eles colocarão a telefonia móvel no mundo do software livre e, certamente, abalarão o mercado do Windows Mobile.”, disse um executivo da Google à revista Times.
A Google se recusa em comentar qualquer coisa a respeito do seu projeto. Mas o CEO da empresa, Eric Schmidt, declarou que essa é a maior oportunidade de crescimento na história da Google. “Estamos fazendo um grande investimento em aparelhos móveis e em plataformas móveis”.
O impacto do GPhone dependerá da habilidade da empresa em firmar acordos com as operadoras, essas têm o poder de distribuir centenas de milhões de cópias do aplicativo por ano e podem controlar quais softwares podem ou não rodar nos aparelhos de seus clientes.
Algumas operadoras, especialmente nos EUA, receberam de forma animadora essa notícia. Empresas como a Verizon e a AT&T têm gastado bilhões de dólares construindo e melhorando suas redes, investindo em relacionamentos mais sólidos com seus clientes, subsidiando aparelhos e criando seus próprios portais de internet móvel. Agora essas operadoras querem ter certeza que seus investimentos serão pagos, em parte, através da publicidade móvel.
A maioria das operadoras não quer comentar sobre os planos da Google. Contudo o CEO da Vodafone Inglesa, que já oferece serviços da Google aos seus clientes, declarou que ainda não está claro quais funcionalidades realmente inovadoras a gigante de Moutain View irá oferecer no seu aplicativo.