Causos reais, mas nem tanto, da blogosfera

quarta-feira - 6 de junho de 2007
Publicado por: Diego Cox

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A história é assim. Havia um cara que vamos chamar de senhor X. Um dia, o senhor X resolveu fazer um blog porque ele gostava muito de ler uns blogs e sempre desejou ter um igual. Senhor X criou o blog e passou longos 4 anos da vida dele, ralando feito um condenado, estudando todas as técnicas de SEO imagináveis. Fazendo milhões de parcerias, catando muito conteúdo original. E até dando uns programinhas piratas…

Aí o blog dele bombou como jamais havia bombado antes.

Senhor X ficou emocionado de ver o resultado de seu trabalho. A emoção, deu lugar a empolgação e senhor X começou a pensar: Será que está suficiente? Atingi o sucesso? O céu é o limite? Estas indagações levaram Senhor X a mergulhar inevitavelmente no universo digital. Lentamente, ele começou a renegar sua esposa, amigos, trabalho, pai, filho, e até o espirito santo, amém.

Senhor X virou um semi-vegetal e a sua esposa, a senhora X se estressou. O casamento precipitava-se ao fim. Ela já havia tido milhares de brigas com o senhor X até aquele momento. E a coisa só piorou. Um dia, o bebê de senhor X se afogou no vaso sanitário. A senhora X havia ido comprar a comida. Quando ela chegou e viu o bebê morto, gritou pelo senhor X que só respondeu o clássico bordão blogueiro “hummm… Jávô”.

A senhora X, vendo que havia perdido a família para o maldito blog, começou a odiá-lo, com toda força de seu coração. O ódio só cresceu e ela tomada pela fúria, descontrolou-se. Saiu de casa. O senhor X nem percebeu que o bebê jazia roxo no sanitário e nem mesmo que sua mulher havia lhe abandonado.

A senhora X vagou sem rumo pela cidade seguindo um velho recorte de jornal que um estranho lhe passou misteriosamente no metrô. Ela chegou finalmente num hotel imundo no gueto mais infecto da cidade. Ali, no oitavo andar, atrás de uma pesada porta preta, ela se encontrou com um sujeito careca, de óculos escuros e sobretudo de couro que sentava-se solenemente numa poltrona Luis XV e que se autointitulava Morpheus, o
hacker.

Morpheus ouviu pacientemente o clamor da senhora X e resolveu ajudá-la. Ele não poderia perder muito tempo, pois tinha que procurar por um tal de Anderson, mas antes de despachá-la prometeu “resolver as coisas” para ela.

A senhora X pegou a passagem que o estranho hacker lhe ofereceu e viajou para o Thaiti. Logo após sair, o sujeito levantou-se da poltrona chique e pegou um velho telefone do século passado que estava na parede. Ao atender o telefone ele apenas disse: “- Encontrei um jeito de disfarçar o IP dele. Anote o endereço do blog que eu vou passar e faça o que deve ser feito, Tank.”

Durante aquela noite, enquanto corrigia comentários de publicidade nos posts diários, o senhor X recebeu uma visita. Era um cara de cabelinho “vaca lambeu”, terno preto e óculos escuros. Senhor X achou estranho vendendores de seguro que surgem as dez da noite usando óculos escuros. Ele tentou fechar a porta, mas o sujeito enfiou o pé e entrou com porta e tudo.

O Senhor X não entendeu bulhufas quando o cara lá falou alguma coisa estranha chamando-o de “Mr. Anderson”. Não adiantou argumentar que Anderson era outra pessoa. Que não era ele. O sujeito não acreditou. Mr. X começou a achar que ele havia se envolvido com a mafia. Ou então era alguém do Google AdSense ou mesmo uma inovação do programa de software original da Microsoft.

Anderson não era mesmo o nome do senhor X, mas não houve tempo de debater o assunto. O sujeito que usava uma espécie de ponto eletrônico numa das orelhas deu-lhe um tapão na fuça. Senhor X voou e caiu perto da Tv. O sujeito almofadinha aproximou-se pegou uma pistola prateada de dentro do terno Armani. Senhor X percebeu que estava fodido.

O cara deu um tiro na cabeça de senhor X.

Tudo apagou.

O sujeito sorriu. Colocou a mão levemente sobre o ponto e disse: – Terminado. Apagar os rastros dele. Tirar o blog do ar.

Em seguida, saiu deixando a casa com os dois cadáveres. Num outro lugar do mundo, no Brasil, existe um garoto. Ele está andando tranqüilamente pela cidade, quando uma estranha idéia surge na cabeça dele. É uma idéia louca de criar um blog. E junto com esta idéia, surge outra idéia, de criar um nickname bem loucão. Algo como maxxfulgore.

Ele faz isso. Vai para casa e cria o blog com aquele nome misteriosamente inspirado pelo cosmos. Cria no nickname e para sua surpresa e espanto, mal ele cria o blog, centenas de pessoas começam a entrar. Maxxfulgore começa a se perguntar se aquilo é normal. Ele resolve entrar numa lista de discussão de blogueiros para questionar o alto volume de acessos, afinal, tudo parece estranhamente funcionar.

Todos na tal lista estranham aquele fato. Menos um. Este leitor é um negro, de óculos escuros que observa letrinhas verdes correndo verticalmente por uma tela. Ele sorri. Os caras apagaram o cara errado.

A esperança continua.

texto de: Philip Kling David

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2 Respostas para o artigo: “Causos reais, mas nem tanto, da blogosfera”

  1. Muito Bom! Pena que os irmãos estragaram no reloaded e no revolutions. Mas o primeiro ainda é muito bom, mas prefiro 13° Andar…

    #317
  2. André

    Muito loko, parabens

    De vez enquando é bom dar uma viajada

    #318

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