O melodrama midiático

terça-feira - 14 de abril de 2009
Publicado por: Diego Cox

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Desde 1996 ouço falar sobre convergência, definitivamente este tema é um buzz tão batido quanto as frases de pára-choques de caminhão. Mesmo naquele passado longínquo, antes mesmo da bolha que dizimou centenas de empresas e projetos, os “experts” de plantão criam teorias e especulam em torno desse novo – agora nem tanto – e promissor mundo onde tudo funcionará em diversos tipos de meios de mídia, juntos e ao mesmo tempo.

Contudo, também desde 1996, ouço que o preço para a convergência é alto, é necessário a promoção do holocausto da mídia convencional, é obrigatório que a internet seja o pilar de sustentação desse modelo e que a TV seja um meio de comunicação bilateral. Enfim, todas as teorias tornam a convergência algo impossível, amedrontadora e – acima de tudo – completamente utópica. Contudo, a convergência – não dos meios de mídia – está atuando bem antes de 1996, talvez desde a pré-história onde madeira e pedra se convergiram para se tornar um machado, sem a necessidade de extinguir nada para existir.

Últimamente, o que mais tenho lido em blogs  – daqueles mesmos “experts” – e até em veículos de credibilidade é o assustador momento que as mídias – ditas convencionais – vem passando. A maioria dos jornais americanos estão fadados ao fracasso – a crise desse país é mera coincidência – o NYT, por exemplo, já vendeu 75% dos seus imóveis – também é coincidência isso estar acontecendo em toda a América do Norte – e deve pagar uma divida de 400 milhões de dólares nos próximos dois meses para não fechar suas portas – qual empresa não deve uma fortuna ao Tio Sam?. A TV vem perdendo audiência de forma vertiginosa, as revistas e periódicos perdem cerca de 20% do seus leitores anualmente, uma verdadeira catástrofe midiática, e a culpa é de quem? Da internet e da sua canibal convergência.

Quando eu era criança, jurava que nos meus 30 anos – já ultrapassados – os carros voariam e que a comida seria comprada em cápsulas que se transformariam em belos pratos depois de 30 segundos no microondas, sonhos de criança, infundados e inocentes. Mas também eram sonhos em torno da convergência, do avião com o automobilismo, da gastronomia e da nano-tecnologia.

Por isso que essa discussão em torno da convergência me dá arrepios, virou algo do estilo auto-ajuda, como salvar a mídia convencional? Todos querem responder essa pergunta vislumbrando seu lugar ao sol, crendo que essa seja realmente uma verdade absoluta e que a solução para esse problema poderá mudar sua vida – ou sua conta bancária. A impressão que eu tenho é que unificaram duas discussões distintas. O fracasso da mídia convencional em nada tem a ver com a convergência, muito pelo contrario, a mídia convencional deve utilizar a convergência para evoluir, não para acabar.

Não posso concordar com tal insanidade, os jornais passam sim por maus momentos, a TV idem, as revistas um pouco menos, mas e a internet? Quantos bilhões de dólares já foram ralo abaixo com os cases da web?

Pergunto para os mesmos “experts” somos um meio de massa ou de nicho? Para os que consideram um meio de nicho, por favor interrompa sua leitura aqui.

Sendo um meio de nicho como a internet pode concorrer ou, até mesmo, asfixiar um meio de massa? Ok, sendo um meio de massa, porque não conseguimos capitalizar nossa audiência? Não podemos esquecer que a internet não corresponde nem a 5% do faturamento publicitário global. Ou seja, esmola.

Antes de mais nada, para a internet ameaçar meios com mais de 100 anos de história e um mercado totalmente consolidado o primeiro passo seria criar modelos de receita concretos, conscientes e viáveis. O que sustenta a rede? Banners? Em quantos banners você já clicou na vida, caro leitor? Agora, quantas Coca-cola, Marlboro, Volkswagen, Doritos, etc e tal foram vendidos com suas inserções na TV, Jornais e Revistas.

Estamos vivendo a mesma discussão de décadas atrás, quando a TV surgiu como ameaça para o Rádio. Me choca o fato do profissional moderno, conectado, e construtor da nova mídia ser tão prepotente, mal conseguimos consolidar nosso próprio mercado e já queremos achar soluções para o mercado alheio, francamente…

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Uma Resposta para o artigo: “O melodrama midiático”

  1. Muito interessante a materia!
    Parabéns!
    Abraço!

    #419

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